Yuny lançará 1,5 bi em imóveis em 2021, mas já vê aumento de preços
Em março, sob ameaça de fechamento por uma nova onda de casos e de mortes por covid-19, as incorporadoras brasileiras colocaram um pé no freio nos planos de lançamentos de imóveis. Sem saber se novas restrições fechariam os estandes de vendas, e pressionadas por uma alta de custos nos materiais de construção, as empresas do setor imobiliário decidiram esperar a tormenta passar.
Foi nessa época qe a Yuny, incorporadora paulista focada em imóveis de médio e alto padrão, congelou os planos de abrir capital na e segurou o calendário de lançamentos. A empresa alega que o pé no freio esteve mais relacionado a problemas para conseguir licenças com os órgãos públicos do que com a incerteza da pandemia .
Passado o pior momento, a incorporadora retomou os projetos no segundo semestre e planeja lançar sete projetos com cifra equivalente a 1,5 bilhão de reais em VGV (Valor Geral de Venda). O IPO , por outro lado, segue na geladeira.
‘Nosso objetivo é lançar todo plano de voo ainda em 2021. Tivemos alguma demora nas aprovações com a prefeitura, o que causou o acúmulo de projetos no segundo semestre, mas estamos bastante confiantes no momento especial que o setor de imóveis vive’, diz Marcelo Yunes, fundador e CEO da Yuny.
Entre os lançamentos estão dois empreendimentos de alto padrão no coração do Itaim Bibi, uma das regiões valorizadas da cidade de São Paulo, onde o do metro quadrado passa dos 30 mil reais. Um desses empreendimentos, localizado na rua Joaquim Floriano, já vendeu 40% das unidades.
Pressão de custos
Nos 12 meses até março, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que mede a variação do preço de materiais e mão de obra da construção, acumula alta de 17%.
Além de retratar a inflação de materiais como aço, cabos, tijolo, cimento e muitos outros, o INCC também tem impacto direto sobre o preço dos imóveis . É esse o índice que reajusta o valor de imóveis na planta ou em construção (tanto os que já foram vendidos quanto os que estão em estoque ou em fase de lançamento).
Para tentar fazer frente à alta dos custos de materiais e serviços, o CEO conta que a Yuny antecipou compras e garantiu que não houvesse falta de insumos para colocar os prédios de pé. Por outro lado, Marcelo Yunes admite que parte do custo já foi repassado para o valor dos imóveis, que subiram gradativamente nos últimos meses e que devem ter mais algum tipo de reajuste daqui pra frente.
‘Temos uma preocupação com a pressão de custo, pra que esse efeito inflacionário seja controlado e em último caso repassado para a venda. De maneira geral, nossos clientes, principalmente os de projetos de médio e alto padrão, têm absorvido bem (o reajuste dos valores dos imóveis)’, conta Marcos Yunes, também fundador da Yuny e presidente do conselho de administração.
Atualmente, 80% das vendas da incorporadora estão concentradas no segmento de média e alta renda, abarcado na marca Yuny. Outros 20% estão sob o guarda-chuva da apê55, marca do grupo dedicada aos projetos do Casa Verde e Amarela , antigo Minha Casa Minha Vida.
Ao contrário do segmento de alta renda, cujos preços podem ser reajustados de acordo com as condições do mercado, os imóveis do programa Casa Verde e Amarela possuem um limite de preço – mesmo nas faixas 2 e 3, que atendem a famílias com renda de até 7.000 reais.
Além disso, as incorporadoras e construtoras que lançam empreendimentos no espectro do programa federal vez ou outra enfrentam atrasos nos repasses de recursos para a construção das unidades.
Questionado sobre essas duas dificuldades, Marcos minimizou a preocupação: ‘Ao contrário de outras construtoras que concentraram a maior parte dos lançamentos no Casa Verde Amarela, nós temos uma parcela pequena dos lançamentos focada nesse perfil, por isso não sentimos tanto a pressão de custo e dos repasses’.
Juros subindo